Final do ano… época que costumeiramente grande parte do povo se pega pensando no ano que passou, nas coisas que deseja fazer no próximo ano, entre outras coisas…
… esses dias, num dos meus momentos de devaneio total, comecei a pensar no meu ano, especialmente no meu retorno à faculdade… e uma das coisas que lembro ter me chamado muito a atenção foi o fato da minha Universidade, a Unisinos, ter procurado “modernizar” sua pedagogia, preparando mais o homem, quem sabe o pensador, que mesmo o técnico, ainda que a Universidade seja referência em qualidade de corpo docente e afins… ou seja, não estou dizendo que saem homens, mas mal profissionais, mas sim que saem homens além de bons profissionais…
… e isso pude perceber em todas as minhas cadeiras… Direitos Humanos e da América Latino (faço curso de Direito) é cadeira obrigatória na Unisinos… por outro lado, Tributário II, uma cadeira meramente técnica, também teve esse tipo de abordagem… ou seja, o que me fez, em determinada época, sair da PUC, parece cada vez mais mostrar que a minha decisão de ir à Unisinos foi a mais acertada possível…
… agora, isso me fez pensar em como estaria a pedagogia dos graus de formação, especialmente o 1º grau… conversando com algumas pessoas, amigos meus que são pais, assim como os filhos, pude constatar que, ao que parece, ainda que muito tenha mudado no mundo desde o meu 1º grau, nem tanto assim mudou nas escolas, o que me parece um sinal vermelho dos mais reluzentes… alguns amigos me disseram que nas creches existiam iniciativas mais interessantes, mas que depois brecavam no conservadorismo das escolas… incrível, né?…
… ok, eu sei, hoje muitas escolas têm computadores e internet (mas nem todas)… mas e além disso? O que poderia ser diferente na pedagogia dos nossos tempos? E não escrevo isso como forma de criticar meus amigos professores, longe disso… muitas vezes os professores são mais progressistas, já os diretores de escolas nem tanto, e pode estar aí uma das explicações, afinal, será que basta apenas grandes mestres, grandes teóricos? É disso que precisamos na vida? A sociedade precisa de mais técnicos que seres pensantes?…
… é claro que deixo patente um pouco do que penso, mas acho que uma reflexão mais profunda merece destaque, não apenas desse blog, mas de meios de comunicação de massa… os tempos mudaram, e muito, nos últimos 20 anos… as crianças estão cada vez mais diferentes/rápidas/inteligentes a cada década/ano… mas e como educá-las?… incrível como parece que se banaliza esse assunto, ou pelo menos que se considere pequeno ou indiferente, como se isso fosse apenas “responsabilidade das escolas”… e a responsabilidade dos pais? Será que eles também não poderiam propor esse tipo de coisa nas reuniões de pais e mestres (ou qualquer que seja)? Creio que sim, afinal, parece-me que a resposabilidade é solidária entre ambos…
… curiosamente, poucos dias depois de pensar no assunto, recebí um email sobre um escola de Porto Alegre que aposta num método de ensino diferente… se é bom ou não, eficiente ou não, eu não sei, mas me agrada que exista algo diferente… quem quiser conhecer um pouco sobre esse método, assista o vídeo abaixo…
Abraços e até a próximo… ;]
2 comentários:
Caro amigo Um Pouco, a questão da educação no Brasil atual é TÃO complexa... Diria que do tempo do meu 1° grau para cá mudou muito, mas não creio que para melhor. Pressão dos sistemas para aprovação de alunos, em função de metas governamentais a cumprir (seja em relação a FMI, seja como meio de galgar melhores posições no IDH - haja visto que para seu cálculo são levados em conta apenas 3 indicadores, e educação é um deles), universalização do ensino, com vistas a erradicar o analfabetismo e manter as crianças na escola, combatendo a evasão (iniciativas sem dúvida louváveis), sem mexer na estrutura da escola resultaram em salas superlotadas, escolas sem recursos e professores com salários achatados, entre tantas outras DEZENAS de problemas, fizeram com que a educação brasileira passasse a viver um de seus piores momentos. Pais, por sua vez (ok, sem generalizar, mas uma parte importante deles) só comparecem à escola para reclamar, soltar os cachorros - são convidados o ano inteiro, mas só vão quando seus filhos podem ser prejudicados (ao contrário desta escola do vídeo - aliás, a pedagogia waldorf é também bastante discutível). Meu, na verdade, não estou nem conseguindo organizar os pensamentos, pois há uma série (grande) de problemas na educação brasileira, e não é de hoje (a consequência vemos diariamente, nos meios de comunicação e nas eleições). É motivo de muita inquietação e contrariedade para mim, e tem sido bastante difícil mudar as coisas...
abç
Meu caro Mente Inquieta, de fato a questão é inquietante e complexa, tanto que procurei abordar de forma mais argumentativa/provocativa, inclusive pq, penso, a responsabilidade relativa à educação escolar não tem sido vista da forma adequada, afinal, onde estão os pais??? Também não quero sugestionar que os pais são culpados... penso em responsabilidade de todos... mas, acima de tudo, percebo mesmo é um atraso em relação às mudanças que vemos no mundo... e não falo de tecnologia e afins... falo de pedagogias mais modernas, ou mesmo atualizadas às novas crianças/jovens, na educação destes nesse novo mundo e etc... é complexo, sim, mas é preciso discutir isso duma vez...
Abraços!
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