Um dia depois que eu criei este blog, mais precisamente no dia 28.11.2008, postei um texto importante, pelo menos pra mim, sobre um importante e decisivo momento da minha vida... o texto, chamado TOMADA DE DECISÃO (quem não o leu, pode lê-lo aqui: http://miltonmorales.blogspot.com/2008/11/tomada-de-deciso.html), expressava uma certa angústia que eu tinha naquele momento, pois ensejava a necessidade d´eu tomar uma decisão frente à uma situação que eu estava vivendo... por isso, no texto procurei refletir um pouco sobre como decidir e o que pode ensejar uma decisão difícil, mesmo que isso se dê de uma forma técnica, “escolada” e “não-sensitiva”... hehehe
... ao final daquele texto, me comprometí a postar quase que imediatamente outro texto, tão logo eu tivesse tomado uma decisão, contando “como foi”, “o que era” e etc.... a verdade é que o raio da decisão se deu poucos dias depois da publicação do texto, mas, ironicamente, somente hoje, exatos 2 meses depois, sento para escrever sobre o assunto...
... neste exato momento, escrevendo essas primeiras linhas, me pego questionando-me qual a razão para esse atraso, afinal, nem eu me convenço da falta de tempo e de outras justificativas costumeiras para explicar isso... no início, como fiquei viajando boa parte do mês de dezembro, eu realmente tinha dificuldades para poder sentar e escrever esse texto, mas depois do meu retorno, pouca coisa justificaria isso... sei lá, não é algo que me incomoda, é só uma reflexão que me ocorreu nesse exato instante...
... bom, decididamente não há outra forma de começar que não pela situação que gerou o momento de impasse e dúvida, portanto, vamos à ela... hehehe
... então, os amigos mais próximos sabem, àqueles que não me conhecem certamente não, mas há algum tempo eu toco violão e guitarra, mais precisamente desde o Natal de 1992, quando ganhei meu primeiro violão... nessa época, até novembro de 1995, mais precisamente, eu era “violeiro”, ou seja, pegava meu violão, escolhia algumas músicas a dedo e ia para rodas de amigos, luaus e até mesmo na frente do meu prédio “fazer a minha parte”, se é que vocês me entendem... hehehe
.... entretanto, em novembro de 1995 tudo mudou num simples e costumeiro convite, que me fez deixar de ser “violeiro” e querer ser músico (mesmo que até hoje músico não-profissional), que foi quando dois ex-colegas de primeiro grau me procuraram para montarmos uma banda...
... com o início da banda, mais tarde batizada oficialmente de Sulfuria, me interessei por música de outra forma, menos como ouvinte, e mais como músico... não foi um processo rápido nem mesmo imediato, mas aos poucos, na mesma medida e tempo em que a banda evoluía...
... durante esse processo houve diversos momentos importantes, sendo o mais importante deles, sem dúvida alguma, um em que a formação da banda na época resolveu fazer o último ensaio, para acabar a banda solenemente, vez que tocamos como nunca, o que nos fez mudar de idéia e seguir com a Sulfuria, mas em outra “tocada”, mais “profissional” e/ou com mais dedicação que a que dávamos até então, o que significou, pelo menos pra mim, decidir me preparar para ser um músico verdadeiramente mais completo e melhor em todas as áreas do meu instrumento e de toda a banda...
... em 1995, quando a banda começou, eu tinha 16 anos... bom, até os dias de hoje, quando tenho 29 anos, a música é minha fiel companheira... agora, imagine como essa companheira poderia ter sido e quão efetivamente não foi importante desde os meus 16 anos? A música me ajudou muito, em bons e maus momentos, e em todos eles, desde os meus 16 anos, foi a única companheira que passou por tudo juntamente comigo... sei que parece piegas escrever assim, e talvez eu achasse o mesmo lendo um texto do gênero de outra pessoa, mas é verdade, acreditem... ;]
... o que não é comum nesse ciclo de vida em que a música importa tanto ao músico é o músico ficar muitos anos numa mesma banda, e no meu caso, até o início de dezembro de 2009, em tudo que aconteceu comigo tive como parceira a música e como convidado ilustre a banda, a mesma durante 13 anos... ou seja, a música ser importante para o músico é clichê, mas uma banda, bom, aí só tendo uma história importante/relevante... e realmente tem...
... o músico que construo todo dia em mim, seja tecnicamente, auditivamente, sensitivamente e etc., precisa de um lugar para expressar isso, e geralmente é numa banda que isso se processa... portanto, durante 13 anos tudo se processou no mesmo lugar, embora nem sempre com as mesmas pessoas, salvo uma delas, que conheço, toco e é um grande amigo há 11 anos...
... além disso, juntamente com esse amigo, eu pensava na banda diariamente, nos processos de evolução, mudanças de perfil e sonoridade, composições e etc., ou seja, como se não bastasse ser “pai”, eu participava... hehehe
... tudo isso que escrevi, pelo menos pra mim, mostra um pouco da importância da música na minha vida e da Sulfuria na minha construção como músico e pessoa em todos os sentidos... não é nem foi pouca coisa, tenham certeza disso...
... à quem tiver tido saco de chegar até aqui, eu pergunto: imagina como seria, repentinamente, considerar a hipótese de sair dessa banda? Provavelmente não seria uma decisão fácil, especialmente por causa do enlace emocional envolvido, certo? Pois é, foi justamente por esse dilema que eu passava naquele 28.11.2008, quando escrevi o texto TOMADA DE DECISÃO, em que, de alguma forma, buscava um jeito, mesmo que metódico, que me ajudasse a pensar sabiamente no assunto...
... claro, o herói que chegou até aqui deve estar querendo saber porque raios eu tive de considerar essa hipótese, não é verdade? Ok, tentarei explicar sucintamente... hehehe
... apesar de toda ligação emocional e de ser o único membro fundador da Sulfuria até dezembro de 2008, nunca me coloquei em pé de superioridade em relação aos outros membros, fossem quem fossem, nem mesmo fiz valer uma eventual prerrogativa que de alguma forma eu tivesse para tomar decisões pontuais... nada disso... o cara que entrasse na banda imediatamente tinha os mesmos direitos e deveres que eu tinha, e isso sempre era dito, geralmente por mim mesmo...
... em razão dessa postura, de algumas pessoas que passaram pela Sulfuria havia uma dúvida em relação ao seguinte: “se houvesse algum sério atrito, criando uma situação complicada dentro da banda, como seria? O Milton decidiria e pronto, inclusive pela saída de algum membro, ou se incomodado, se retiraria, como preceitua um velho ditado?”... pois bem, o Milton se retiraria, e foi isso que fiz no final do ano passado...
... apesar de estarmos num momento interessante pra banda, gravando um novo e promissor material, no último 1 mês/1 mês e meio que antecedeu a minha saída, a convivência entre os membros da Sulfuria ficou inexplicavelmente muito ruim... ninguém se entendia mais... houve divisão de grupos (um deles para defender tão somente os seus interesses, e não os da banda) e etc.... foi incrível, quase como um mal súbito, pois aquilo fez a banda implodir, a ponto d´eu ter saído num domingo, outros dois membros poucos dias depois e, então, oficial e não solenemente, a banda terminar depois de 13 anos...
... pode parecer exagero, mas decidir sair da banda foi uma das decisões mais difíceis da minha vida... eu até não me preocupava com o futuro ou coisas do gênero, até porque isso não faz parte do meu perfil, mas a sensação era similar a de um relacionamento longo com sérios problemas, pois eu queria e esperava que houvesse alguma forma das coisas se resolverem, ainda que cada vez que me programava e dava “a última chance” (e não foram poucas) algo ruim acontecia... e, claro, não dá para ficar dando “murro em ponta de faca” sempre... uma hora temos de entender o que a vida quer nos dizer, e, em determinado momento, eu resolvi aceitar o que ela me dizia...
... eu costumo ser um cara bem decidido, e não foi diferente dessa vez, ainda que decidir tenha sido muito mais difícil que de costume, tanto que, no momento seguinte ao minuto em que a banda se dissipou depois da reunião do anúncio da minha saída, não lamentei nem tive qualquer sensação de arrependimento... até hoje não tenho nem nunca tive essa sensação... o difícil foi decidir, mas, depois de TOMADA “A” DECISÃO, o negócio é seguir a vida e “bola pra frente”...
... hoje em dia, eu e esse amigo/companheiro de 11 anos de banda estamos começando um projeto novo, com outro som, outros conceitos, enfim, um projeto totalmente diferente do da Sulfuria... está sendo um recomeçar pra mim, pois estou tendo de reaprender e aprender a tocar muita coisa diferente, em gêneros musicais diferentes, com sonoridades diferentes, mas ainda assim, como todo começo, está sendo inspirador... os ensaios que temos feito, somente os dois (ele é baterista), têm nos dado um “tesão de tocar” que há algum tempo não tínhamos, o que, posso falar por mim, embora eu saiba que ele compartilha da mesma opinião, me faz ter 110% de convicção na decisão que tomei... realmente tenho estado muito mais feliz com esse lado, que como deixei claro no início deste texto, é um lado muito importante da minha vida... aliás, depois dessa experiência descobri que eu sou um cara que precisa cuidar de corpo, mente e música para viver bem... “só” corpo e mente “sã” não são suficiente... hehehe
... por conta desse novo projeto tenho ouvido muita coisa e, claro, por conta dessa história toda me parece óbvio porque até hoje só fiz uma postagem de “O que estou ouvindo”, enquanto já fiz 5 postagens de “O que estou assistindo”... portanto, fiquem atentos, porque em breve virão muitas postagens com boas dicas de bandas e músicas... aguardem... hehehe
Abraços!
5 comentários:
CAra, me lembro com uma nostalgia (e algum sorriso perdido no canto da boca) daquelas violadas na frente do edíficio, normalmente na madrugada (até algum viznho reclamar, ou chamar a polícia!). Bons tempos de violadas entre amigos, bons tempos em que se podia ficar na rua de madrugada...
Meu, pelo que te conheço, sei o quanto tal decisão deve ter sido absurdamente difícil para ti, pois bem sei que música para ti não é hobby.
Assim sendo, sei que se decidiste por isso, foi com total convicção, e portanto te apóio e te dou a maior força; vá em busca do que te completa!!!
Fica a curiosidade: que tipo de som virá por aí?
Grande abraço, e sucesso!
A propósito, como poderás ler no meu blog amanhã, estou indo para a praia e vou ficar uns 16 dias fora. Mas, como sei do teu bom gosto musical, na volta lerei com curiosidade os posts que colocares, com a seção "O que estou ouvindo".
Neste período em que ficarei fora, entrarão 4 postagens, fique à vontade para conferir!
Abç
Pois é, cara, nem me fala, pois eu mesmo me peguei com esse mesmo sorriso no canto da boca quando lembrei daquelas violadas na frente do edifício... uma história que lembrei enquanto escrevia o texto foi que toda vez a Isolete (lembras dela? hehehe) me pedia para tocar "Refrão de um Bolero" e eu dizia que não sabia tocar, que dos Engenheiros só tocava "Pra ser sincerto" e "Ana"... ahaha... aí eu tocava "Ana" e na outra violada ela vinha me pedir para tocar "Refrão de um Bolero", que eu dizia não saber, ela dizia que eu sabia, e, bom, a história mais uma vez se repetia, frise-se, por minha culpa, pq ela estava certa, afinal, eu é que não sabia o nome verdadeiro da música "Ana"... hehehe
... agora, quanto "A" decisão em si, não foi fácil mesmo... naquela época me senti bem perdido... eu costumo ser um cara bem centrado, sereno, mesmo para tomar qualquer tipo de decisão... bom, aquela foi uma situação que me tirou desse "centro de controle" e me fez conversar muito com as pessoas, dividir um pouco como me sentia, coisa que não costumo fazer, até sacar melhor o que era melhor pra mim quando sentí que não dava mais...
... mas, seja como for, cá estou e bem feliz com esse novo momento, que é o que verdadeiramente importa... hehehe
... de resto, estarei atento à Mente Inquieta nesses dias de férias... hehehe
Abração e valeu pela força... ;]
Bah, que viagem, isso da música dos Engenheiros...
Mas pô, Isolete???? Agora tu pegou pesado!!!!
E o Luís, tocando tudo que é música, mas só o inicio e parava, aí dizia: "não, não, essa não" ou então "ah, tem aquela assim, também", e assim ia, e dificilmente tocava alguma inteira!!!
Abraço
Hehehe... pior que lembro sim do Luís tocando as músicas em pedaços... hehehe... mas lembro também que do início ao fim somente as músicas do Legião, até pq na época se as do Legiao não fossem até o final, ele seria "comido vivo"... ahahaha
Postar um comentário